sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Uma Música

Uma única canção
Inacreditavelmente
Muda todo um dia
Estou ciente dos resultados
Facilmente previsíveis
Mas não ligo
A coloco mesmo assim
Estava tão disposto
Com uma sensação
Que poderia conquistar o mundo
Mas hoje eu não quero
Prefiro não lutar
Não hoje
E a música começa
No mesmo momento
Escuto batidas na porta
E gritos para que eu abra
Querendo entrar independentemente
Da minha decisão
Abro a porta
Vejo que são amigas antigas
Reconheço os olhares
Já fomos íntimos
Por um longo tempo
Tempos que eu achava
Que nunca voltariam
Com sorrisos sarcásticos
E de mãos dadas
Cumprimentam-me
Com um gesto discreto com a cabeça
Entram sem pedir
Fico atônito
De boca aberta
Não sei o que fazer
Abaixo a cabeça
Fecho a porta
Sento no sofá
A Tristeza senta ao meu lado
Encosta a cabeça no meu ombro
Olho para ela
E balanço a cabeça negativamente
Penso:
“Continua tão audaciosa”
E a música chega no seu ápice
A Depressão me tira para dançar
Vou contra a minha vontade
A cabeça começa a girar
A lógica perde o sentido
Pego gosto pelos os movimentos
Soltamos as mãos
E a abraço forte
Ela retribui o carinho
A Tristeza aplaude a afabilidade
Canso-me
Sento
A Tristeza volta a sentar
Ao meu lado
Pega o meu braço
E o coloca em volta
Dos seus ombros
E pousa a cabeça no meu peito
A Depressão aproxima-se
Deitando-se do lado oposto
E usa minhas pernas
Como travesseiro
Uma lágrima sai tímida
E corre pelo meu rosto
Dependura-se no meu queixo
E cai sobre o rosto da Tristeza
E escorre energeticamente
Rumo a mais um mergulho
E salta para a testa da Depressão
Elas se olham maliciosamente
E riem maldosamente
Mas a música acaba
E acordo do meu devaneio
Sentado
Soluçando
Chorando
Limpo as lágrimas
Vou beber água
Respiro fundo
Volto para o sofá
Pego o controle
Aperto o “play”
A música recomeça
E volto a escutar
As batidas na porta...

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