quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Sob Pouca Luz...


Penumbra
Visão limitada
Sentidos
Ainda mais aguçados
Estranho
Ter sombra nas sombras
Como se cada objeto
Cada mobília
Nos observassem
Cochichassem entre si
Dos nossos atos carnais
Acusando-nos
Julgando-nos
Mas não damos atenção
A essa hipocrisia
E o nosso desprezo
É facilmente comprado
Pela paixão do toque
Por esse momento abrasador
Um cheiro adocicado
Invade-me as narinas
Uma fumaça
Tímida
Espalha tal cheiro
Incensos
Denunciados
Por um tom vermelho
Pequenas brasas
Quase despercebidas
E esquecidas
Pelas sombras
Outro aroma
Implica com meu olfato
Uma fragrância de flores
Advinda de uma pele
Macia
Apetitosa
Salgada
Devido ao suor
Ao qual
Sinto o sabor
Em todo o seu corpo
Despido
Despidos
Próximos
Colados
Como se fossemos um
Pernas
Entre pernas
Barrigas unidas
Como se dividíssemos
O mesmo umbigo
Ela sente
Todo o corpo
Sendo tocado
Como eu se eu tivesse
Dez mãos
Respiração acelerada
Beijos desordeiros
Apertões
Apalpadas
Chupões
Mordidas
Gemidos
Abraços sufocantes
Em uma dança lasciva
Com movimentos libertinos
E sensações delirantes
A cama como palco
O roçar do lençol
É a música
Dessa antiga dança horizontal
A qual
Bailamos
Executando os mais diversificados
Movimentos
Coreografia improvisada
Inspirada pela vontade
Coração a galopar
Bombeando
Esforço
Vontade
Desejo
Cobiça
Devassidão
Luxúria
Ela se entrega
Eu me entrego
A respiração
Vai diminuindo seu ritmo
O coração vai voltando
A sua docilidade
Abrimos os olhos
Com os rostos próximos
Nos encaramos
Sorrimos
Engolimos a seco
Ela morde os lábios
Levanto uma das sobrancelhas
Devolvo o ato
Com um sorriso
Curtinho
Esses que ficam
No canto da boca
Malicioso
Delatando a minha vontade
Baixo a minha visão
Mesmo a meia luz
A observo
Lentamente
Dos pés a cabeça
Os meus olhos
Devoram cada centímetro
Do seu corpo desnudo
Nossos olhos
Voltam a se encontrar
Ela pende a cabeça pro lado
Como se quisesse uma resposta
Entendo a dica
Levanto-me
Volto a acender novos incensos
Viro-me
Olho para a escultura
Deitada de bruços
Com as canelas a balançar
Apoiada sobre os cotovelos
Mãos unidas e dedos entrelaçados
Com o queixo apoiado sobre esses
Por uma fração de segundo
Noto que tenho
O ícone do pecado em minha cama
Meu olhar adquire um ar libidinoso
Ela nota o meu querer
Pergunta:
“Vai ficar só olhando?”
Sorrio
E volto pra cama...

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