quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Que Nem...

Sentado na praça
Em um banco de cimento
Crianças a correr
E a andar de bicicletas
Por todas as direções
Vozes incompreensíveis
Vindas de todos os lugares
A invadir o meu ouvido
Mas a única voz que me importa
É da pessoa que está na minha frente
Sentada de pernas cruzadas
A me olhar profundamente nos olhos
Com fios de cabelos sobre o rosto
Dourados como o sol
Dando-me uma sensação de mistério
E ao mesmo tempo de afirmação
Sustentando o corpo em um dos braços
Deixando-a inclinada
E de cabeça pendendo para o lado
Fascinando-me
Não sei como me comportar
Fico parecendo
Aos que correm
E andam de bicicleta na praça
Fico bobo
Pois
Toda ela é bela
Tudo nela
É belo
Me chama a atenção
Discretamente
Deslizo a mão
Pelo banco
Toco a sua mão
Levemente
Seus olhos sorriem
E Indiscretamente
Ela cobre a minha mão com a sua
Entrelaça os seus dedos nos meus
Acaricia-me de forma
Continua e intensa
Sorrimos bobamente
Que nem
Os que correm e andam de bicicleta na praça
Aproximo-me dela
Sua blusa
Cai suavemente
Mostrando o seu ombro
Meu coração dispara apressadamente
Engulo a seco
Respiro fundo
Cheiro esse mesmo ombro
Ela morde os lábios
E diz:
“Não faz isso”
Com um sorriso a riscar todo o seu rosto
E respondo:
“Não faz isso você”
Ela gargalha
Eu me perco nessa ação
Fico parecendo
Aos que correm e andam de bicicleta na praça
Ela olha para o lado oposto
Dá uma gargalhada
Ajeita o seu cabelo
Passando a mão e puxando-o para trás
Volta a me encarar
E me desarma
Com um sorriso
Aproximo-me ainda mais
E audaciosamente
Beijo o seu rosto
E me congelo nesse ato
Ela vira o rosto lentamente
Na minha direção
Nossos olhos se encontram
Ficamos com os narizes colados
Bocas a milímetros de distância
Passo a minha mão em volta
Da sua cintura
E sorrimos
Que nem
Os que correm e andam de bicicleta na praça...

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