segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Adivinhar?

     A cada deslize, a cada passeio a superfície da página uma imagem se fazia. Os traços eram finos, a ponta do grafite passeava com tranqüilidade pelo o papel, sem chances de erros, pois, a mão era firme e atritava suavemente sobre a pequena área da folha. A mão, seguindo fielmente a regência da imaginação, produzia o que poucos possuem, a concretização do imaginar pela arte muda. Ela parava por alguns segundos, o olhar perdido no tempo e espaço, os olhos davam a impressão de vazio para quem os viam naquele estado de transe; um fio de sorriso, quase que imperceptível, discretamente se estampava no rosto, despertou e voltou com pressa para a criação, querendo utilizar ao máximo a cada segundo de inspiração que lhe invadia. Subitamente, ela para, um aroma amadeirado e excêntrico, invadiu-lhe as narinas, de imediato roubou-lhe a atenção e fazendo-lhe perder a sua linha, o coração começa a bater rapidamente como se estivesse devendo horas de trabalho; a fragrância que sente é tão agradável como o mais finos dos vinhos, fazendo-lhe lembrar o motivo de sua inspiração. Ela sorri. A escuridão cobre-lhe os olhos, sente que são mãos masculinas, e familiares, ela não reage, permite de agrado tal ação. “Adivinha quem é?” desafia a voz masculina as suas costas, tentando disfarçar a voz. A desenhista ri e pensa: “Será que digo ao meu amado que não sei quem é, ou que percebi a sua presença antes dele tentar tal jogo?”. Ela apalpa as mãos do rapaz, respira fundo e diz: “Eu tenho quantas chances?” e sorri...

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