De súbito, o susto, lento e discretamente saiu sem nenhum esforço, saiu deslizando bem devagar, sem dificuldades, sem impedimentos, como se fosse uma patinadora sobre o gelo. De repente encontra um obstáculo que não esperava, saltar ou ficar? Fica na beirada olhando para baixo. Sem tempo para escolhas, uma força maior que sua vontade, a empurra sem cerimônias, tirando-lhe sem demora a opção de ficar. Durante a queda livre, nota que não será a única que fará isso. Se choca contra o chão, não resiste e deixa de possuir a sua forma, perfeita, e é engolida pela terra com tanta facilidade e voracidade, como se essa esperasse tal momento, e com sede de mais, ela aguarda... Sem delongas, outras surgem, agora com tentativas de serem impedidas, tentativas em vão, pois, estas correm, galgam, e saltam sem titubearem, com uma vontade avassaladora, de irem de encontro ao chão, e se mostram confiantes em fazerem isso e a terra sorrir por tal ato, mas não queria... Por um instante a fuga é impedida, “Não o darei nenhuma de minhas lágrimas, pois você não merece nenhuma delas” disse a mulher em voz baixa para si mesma ao ver o amado, nos mais íntimo dos afagos possíveis em público com outra mulher. Recuando para sua casa, a mulher se conteve, e as lágrimas, elas insistem em se dar de alimento para a terra, pois, esta já se acostumara a se alimentar da tristeza...
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