segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O Vendedor

Sentado em um coletivo
Sendo amassado pelas pessoas
Sufocado pela poluição
Só tenho uma solução
Perder-me em meus pensamentos
Os devaneios me tomam
Consigo fugir
Fico levemente aliviado
Esqueço do mundo
Esqueço
Algo me puxa
E me puxa violentamente
Traz-me para o real
Multicolorida
Em contraste com a realidade
Onde tudo é cinza
Sem cor
Sem vida
Vejo uma
Única
Perfeita
Esfericamente perfeita
De brilho único
Dançando de forma desimpedida
Na direção que deseja
E aparecem outras
E outras
E mais
Em um assalto imprescindível
Arrancam-me um sorriso
Tão fácil
Tão verdadeiro
Facilito a ação
Ação esta que não faço há tempos
Que me arremata a nostalgias
Momentos felizes
Volto a acreditar no possível
Nos sonhos
No que ninguém mais acredita
E logo identifico a origem dos sonhos
Um vendedor ambulante
Que não para
Sempre constante
A fazer bolhas de sabão
Possivelmente
Ele não consegue vender
A quantidade que desejaria
Mas certamente
Consegue vender
E sem saber
O que poucos conseguem
A esperança

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