Respirando poeira
Gosto de terra na boca
Areia nos olhos
Dores na cabeça
No peito
Pelo corpo
Arranhões
Cortes
Feridas abertas
Sangue
Sangrando
Sempre sangrando
Deitado
Beijando o chão
Respiração penosa
Soluços
Choro incontrolável
Abre os olhos
Lágrima
Lagrimas
Saem
No principio
Límpidas
E se transformam
Devido à poeira no rosto
Em uma lama negra
Como a vontade de viver
E cresce
Uma cobiça
De nunca mais levantar-se
Pois não faz sentido
Levantar
Pra cair
Porque não ficar caído!?
A próxima queda
Pode ser pior
Mas contra a própria vontade
Um dedo mexe
Os olhos voltam a piscar
E a respiração
Pausadamente
Vai voltando ao normal
Os braços vão ganhando forças
Vagarosamente
Vai pondo
A palma das mãos
Contra o solo
Penosamente
Vai esforçando-se
E o tronco vai sendo
Alavancado pelos membros
A dor
Sem piedade
Lacera
A tentativa de seguir
Deste pobre pecador
Mas a ambição a vida é maior
Do que a eterna escuridão
Que o faz içar
E o orgulho
O alimenta
Fazendo-o
Levantar a cabeça
Empinar o nariz
Mas o esforço é imensurável
E fica em pé
Se sente mais alto
Pois
Consegue ver mais longe
Novas possibilidades
Bate na calça
Tira o excesso de poeira
Respira fundo
Arrisca um passo
E ver quem não deveria
As pernas fraquejam
Quase cai
Ela nota a sua presença
Muda a direção
E vai ao seu encontro
Ele balança a cabeça
Negativamente
Ela para de súbito
Ele mostra um olhar de desaprovação
Ela abaixa a cabeça
Ensaia um lamento
Vai embora
Lagrimas
Galopam em seu rosto
Fica confuso
Conturbações sentimentais
O açoitam a gargalhadas
Mas resiste
E apoteoticamente
Apruma-se sobre as pernas
Limpa o rosto
E pensa:
“Não errarei mais, pelo menos não com você...”
“Não errarei mais, pelo menos não com você...”
Engole a seco
Respira fundo
Volta a sentir
As pernas forte novamente
E dá o primeiro passo
Sorrindo
Rumo
Ao próximo erro...
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