sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Erros Necessários


Respirando poeira
Gosto de terra na boca
Areia nos olhos
Dores na cabeça
No peito
Pelo corpo
Arranhões
Cortes
Feridas abertas
Sangue
Sangrando
Sempre sangrando
Deitado
Beijando o chão
Respiração penosa
Soluços
Choro incontrolável
Abre os olhos
Lágrima
Lagrimas
Saem
No principio
Límpidas
E se transformam
Devido à poeira no rosto
Em uma lama negra
Como a vontade de viver
E cresce
Uma cobiça
De nunca mais levantar-se
Pois não faz sentido
Levantar
Pra cair
Porque não ficar caído!?
A próxima queda
Pode ser pior
Mas contra a própria vontade
Um dedo mexe
Os olhos voltam a piscar
E a respiração
Pausadamente
Vai voltando ao normal
Os braços vão ganhando forças
Vagarosamente
Vai pondo
A palma das mãos
Contra o solo
Penosamente
Vai esforçando-se
E o tronco vai sendo
Alavancado pelos membros
A dor
Sem piedade
Lacera
A tentativa de seguir
Deste pobre pecador
Mas a ambição a vida é maior
Do que a eterna escuridão
Que o faz içar
E o orgulho
O alimenta
Fazendo-o
Levantar a cabeça
Empinar o nariz
Mas o esforço é imensurável
E fica em pé
Se sente mais alto
Pois
Consegue ver mais longe
Novas possibilidades
Bate na calça
Tira o excesso de poeira
Respira fundo
Arrisca um passo
E ver quem não deveria
As pernas fraquejam
Quase cai
Ela nota a sua presença
Muda a direção
E vai ao seu encontro
Ele balança a cabeça
Negativamente
Ela para de súbito
Ele mostra um olhar de desaprovação
Ela abaixa a cabeça
Ensaia um lamento
Vai embora
Lagrimas
Galopam em seu rosto
Fica confuso
Conturbações sentimentais
O açoitam a gargalhadas
Mas resiste
E apoteoticamente
Apruma-se sobre as pernas
Limpa o rosto
E pensa:
“Não errarei mais, pelo menos não com você...”
Engole a seco
Respira fundo
Volta a sentir
As pernas forte novamente
E dá o primeiro passo
Sorrindo
Rumo
Ao próximo erro...

Nenhum comentário:

Postar um comentário