O espetáculo começa
O Palhaço Ciclista aparece
Em meio à confusão
Do picadeiro
Bem ao centro
Todos o veem
E de imediato
Outro palhaço
Em posse de um carro
O atropela por diversão
Toda a plateia urra
Grita
Clama pelo divertimento
O Palhaço Ciclista
Contorce-se ao chão
Os espectadores
Arregalam os olhos
E se aproximam
Para não perder os detalhes
O Mestre de Cerimônias
Tenta manter as pessoas afastadas
Tentativas em vão
Em seguida
O Palhaço do Carro
Sai do veiculo interpretando
Um bêbado
Solta alguns xingamentos incompreensíveis
Passa a mão pela cabeça
Ao perceber o que fizera
Olha para os presentes
Levanta o ombro como quem diz:
“Não foi por querer...”
Depois de algumas encenações
Chega o carro dos Mágicos
Seguido pelo Carro das Praças
O público presente
Os recebem com palmas
Os Mágicos
Juntamente com seus assistentes
E alguns utensílios
Aproximam-se do Palhaço Ciclista
Pegam suas ferramentas
Colocam no palhaço caído
Falam algumas palavras mágicas
Balançam as mãos
O tocam com vigor
Dão uns assopros
Abracadabra
O Ciclista volta a si
Respirando com dificuldade
Com um olhar perdido e assustado
Amparado pelos paramédicos
Ele é colocado dentro da ambulância
E o levam as pressas para o hospital
Os policias levam o motorista bêbado para depoimento
O senhor que tentou afastar a multidão
Volta a sentar no seu banquinho
Junto à calçada
A população se dispersa
Excitada
Comentado com fervor
Cada detalhe
Relance
Minúcia
Eu
Abismado
Pelo humor sádico da população
Instigada pela violência do trânsito
Uma das tragédias da vida real
Rasgo o meu ingresso gratuito
E volto pra casa a passos largos
Inconformado.