Sentado numa mesa
Bebendo
Cego
Ofuscado
Pela fumaça dos cigarros
Meio tonto
Meio alucinado
Mas ciente do meu querer
É o que eu acho
Bebo mais um copo
Bebo mais uma garrafa
Garrafas
Bebo
Bêbado
A fumaça dos cigarros
Me fazem ver o invisível
O que poucos conseguem ver
O que muitos tentam esconder
O sorriso é inevitável
E presenteio com um
Qualquer pessoa que me olha
Nos olhos
Tento mostrar lucidez
Mas a minha alma está doente
Os olhos refletem tal patologia
A mais nobre loucura
O mais cruel dos sentimentos
Tento disfarçar com meus gestos
Com palavras
Mas meu rosto cansa de sorrir
Ele quer demonstrar o que sente
E lentamente
A minha máscara vai trincando
Olho pra ela
Entre a fumaça dos cigarros
Bebendo
Gargalhando
Máscara quebrada
Sei
Por que já me confessou
Que não agüenta mais
Esse teatro
Mas prefere sustentar a mentira
Fingir que é forte
Segurar as lágrimas
E nos seus momentos de solidão
Desaba
Se entrega a dor
Mas aqui é sinônimo de felicidade
Não entendo esse comportamento
Não sei o que dizer
Não sei o que fazer
Ela sempre me invade a cabeça
E não quer mais sair
Deixa-me sem chão
Me preenche o pensar
Mas prefere ninguém
Prefere a solidão
Possui bastantes cicatrizes
Feridas abertas
Dores antigas
Não quer se comprometer
Não quer se envolver
Não quer tentar
Prefere se esconder
Atrás de uma máscara
Das fumaças de cigarro
No fundo de um copo
A tentar
A viver
A seguir os caminhos da vida
Onde tudo dar errado
Caminhos tortuosos
Dos espinhos
Dos cacos de vidro
Onde o errar
É o que nos fazem feliz
Mas bebo
Ela bebe
Bebemos
Tento olhá-la nos olhos
Ela sente isso
Me olha discretamente
Finge que nada está acontecendo
Entre as fumaças de cigarro
Encho um copo
Copos
Bebo
A cortina
Da fumaça dos cigarros
Abre pra mais uma nova cena
Tento sorrir
Ele saiu meio desengonçado
Nossos amigos afirmam:
“Já está bêbado!”
Levanto os ombros
Tentando dar um ar de incerteza
E eu penso:
“Não, só sofro...”
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