Familiares
Amigos antigos
Amigos novos
E sempre
Sempre pessoas desconhecidas
A nossa volta
A minha volta
E a mesma sensação
Eu sinto
Muitos sentem
Poucos assumem
De estarmos sós
Sempre só
Estranho
Apesar das risadas
Das graças
Dos abraços
Dos beijos
Essa sensação insiste
Em acariciar os meus cabelos
Mas o que eu posso fazer!?
Eu não me perdi
Só estou sozinho e abandonado
E você partiu
Estou com uma vaga ociosa
Na minha casa de casal
Espaço livre no guarda-roupa
E o meu porta-retratos
Ainda sustenta uma foto sua
O silêncio da casa me assombra
A saudade me assusta
Mas não faz sentido
Pois eu pouco me lembro de você
Afinal
Hoje você não tem
Tanto significado
Quero escapar dessa dor
Se quiser voltar
Repense
E volte não
Pois os cacos
Estão espalhados por toda parte
E cortará
Quem quiser
Relembrar esse passado próximo
E eu faço questão
Que esteja enterrado
Assim como as minhas
Lembranças com você
Lembranças de você
Essa vontade de te ver
Esse rosto já está deixando
De fazer sentido
Quase que não o reconheço
E não sei por que
O meu porta-retratos
Exibe uma pessoa
Tento lembrar
“Quem é!?”
Busco na mente
Demoro alguns minutos
Lembro
Presenteio-me com um sorriso
Pois o tempo
Que demoro pra lembrar
Vai se estendendo
E me pergunto de novo:
“Estava tentando me lembrar de quem mesmo!?”
Preparo o meu jantar
Sinto algo estranho
Só tem um prato na mesa
Olho pro lado oposto
E não sei qual é o problema
“Está faltando algo!?”
Penso
Recebo uma ligação
Amigos me convidam pra sair
Pondero sobre o fato
Recuso
E no momento que vou desligar
Penso:
“Por que não!?”
Aceito o convite
Desligo o telefone
Arrumo-me
Tenho a sensação
De estar fazendo algo errado
Continuo mesmo assim
Me perfumo
Pego a carteira
Pego as chaves
Abro a porta
O vento das oportunidades
Me sopra a cabeça
Me refresca
Olho pra trás
Vejo o meu
Porta-retratos
E eu não sei por que
Mostra uma pessoa
Que eu não reconheço...
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