Coração acelerado
Nervos
irrequietos
Dificuldade
em respirar
Visão turva
Coração
descompassado
Um passo no
vazio
Precipitação
irreversível
O vento
Inicia uma
canção
Ensurdecedora
Minha roupa
Insiste
[Em vão
Em querer
fazer o caminho oposto
Ao que sigo
E vou
Impetuoso
Sem
possíveis arrependimentos
Ao encontro
Dela
Com um
sorriso
Estampado no
rosto
Lembro
Que já
trocávamos
Alguns
olhares maliciosos
[E como Ela me flertava...
E eu fingia
Que não via
Tentava
pensar
Na minha
amada
Pra não dar
vazão
A minha
vontade
De ir para
os braços
Dessa
sedutora descarada
Mas hoje
Não tive
como negar
De ir ao seu
encontro
Depois que a
vida
Deu-me
algumas bofetadas
Tirou-me o
emprego
Minha amada
Meus sonhos
Somente Ela
estava lá
Dei-lhe um
sorriso de escárnio
Revelando
A
depreciação da minha própria vida
Ela deu de
ombros
Olhou-me de
soslaio
Acenou
Com a
ausência de dor em uma das mãos
E uma boa
dose de ilusão na outra
E fazendo um
grande “C” com os braços
Tentando-me
a um abraço apertado
Agora estou
eu
Indo em sua
direção
Numa
velocidade vertiginosa
Algumas
pessoas me notam
Olham-me
embasbacadas
Surpresas
Pensam:
“Por que
ele escolheu logo Ela?”
Não ligo
Ela foi a
única que me deu atenção
A única que
se importou
A única que
quis me olhar nos olhos
Quando
ninguém olhava pra mim
Aproximo-me
cada vez mais rápido
Sinto o Seu
cheiro doce
E o segundo
que antecedeu
Seu abraço
A dor
[Ao quicar no chão
Lacerante
Descomunal
Imensurável
Mas o Seu
abraço frio me consola
Afaga a
minha angústia
As pessoas ficam
chocadas
Não
acreditam no acontecido
Aperto tal
abraço
Peço pra
sairmos dali
Estávamos
atrapalhando
O tráfego de
uma sexta-feira
Ela me leva
embora nos braços
Deixando pra
trás
O asfalto tingido de vermelho...