Cantava, juntamente com tal ação mexia o corpo de uma forma tão hipnotizante quanto o movimentar de uma serpente. Utilizava-se do olhar como uma arma, pois, ao mirar os homens com aqueles olhos de cílios que pareciam mãos a chamá-los a cada piscada, arrebatava e deixava a suspirar cada um deles. De pernas torneadas, usava um vestido com um corte que mostrava toda a perna direita, negro, como a noite, brilhante, como as estrelas, devido às lantejoulas. Com a boca carnuda, juntamente com um batom rubro, que nem o cabelo, que era realçado por causa da pele clara, fazia com que eles tivessem o mais ousado dos devaneios a cada palavra dita, a cada sorriso malicioso e a cada bico que fazia, porque sabia o resultado desses trejeitos, eles, sem medo de mostrar o resultado dessa fantasia, refletida nas bocas entre abertas e devorado-a com os olhos como um leão atrás da relva. Ela para de cantar e os aplausos são imediatos e calorosos, e nesse intervalo de tempo, entre o agradecimento e o louvor, ela se lembra de todas as dificuldades que passa e da criança que deixou em casa dormindo e sozinha. Os olhos tentam marejar, mais ela respira fundo, faz a pose mais sensual, se utiliza de um olhar extasiante e esquece tudo. Cantando...
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