O chicote invisível
Na sua dança
do açoite
Contínuo e
direto
Incansável
Queima-nos às
costas
O asfalto escaldante
Dificulta o
respirar
Mesmo arfando
Continuo a
marcha
Seguro cartazes
Faixas
Com honra e
glória
Como se
fosse um cavaleiro
Com o estandarte
da minha casa
Numa era de
guerra
Continuo a
marcha
O suor é o
que me nutre
O sangue
derramado
É o que me
dá forças
O ar
abandona os meus pulmões
Para dar voz
aos apitos
Para que eu
fique rouco
Ao berrar as
palavras de ordem
As avenidas
viram ruas
As ruas
viram becos
Estanco as vias
Quando decido
caminhar
Em busca dos
meus direitos
Quando luto
Contra o que
é imoral
O que vai
contra mim
Ao que não
me representa
Continuo a
marcha
Luto pelas
minhas raças
Pelos meus gêneros
Pelas minhas
etnias
Por tudo
Por todos
Luto por você
Que prefere
ficar em casa
Diante da TV
Consentindo a
enganação
Continuo a
marcha
Sou o
estorvo dos colarinhos brancos
Talvez
Por causa da
coloração azulada do meu
Intimidados
Usam e abusam
De toda
forma de repressão
Um confronto
iminente
Contra os
homens da “lei”
Perco parte
de mim
Nesses embates
Às vezes
Temporariamente
Às vezes
Permanentemente
Mas continuo
a marcha
Mesmo de
luto
Luto
Gritando pra
quem não quer ouvir
Batendo no
inexistente
Descobrindo o
sonegado
A repressão
vem com força total
Sorrio de
escárnio
E que venha
repressão
Através de
outros homens
Pois
Tenho medo do
desconhecido
Não de homens...
By: Edivan
Freitas
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