domingo, 26 de maio de 2013

O chicote invisível
Na sua dança do açoite
Contínuo e direto
Incansável
Queima-nos às costas
O asfalto escaldante
Dificulta o respirar
Mesmo arfando
Continuo a marcha
Seguro cartazes
Faixas
Com honra e glória
Como se fosse um cavaleiro
Com o estandarte da minha casa
Numa era de guerra
Continuo a marcha
O suor é o que me nutre
O sangue derramado
É o que me dá forças
O ar abandona os meus pulmões
Para dar voz aos apitos
Para que eu fique rouco
Ao berrar as palavras de ordem
As avenidas viram ruas
As ruas viram becos
Estanco as vias
Quando decido caminhar
Em busca dos meus direitos
Quando luto
Contra o que é imoral
O que vai contra mim
Ao que não me representa
Continuo a marcha
Luto pelas minhas raças
Pelos meus gêneros
Pelas minhas etnias
Por tudo
Por todos
Luto por você
Que prefere ficar em casa
Diante da TV
Consentindo a enganação
Continuo a marcha
Sou o estorvo dos colarinhos brancos
Talvez
Por causa da coloração azulada do meu
Intimidados
Usam e abusam
De toda forma de repressão
Um confronto iminente
Contra os homens da “lei”
Perco parte de mim
Nesses embates
Às vezes
Temporariamente
Às vezes
Permanentemente
Mas continuo a marcha
Mesmo de luto
Luto
Gritando pra quem não quer ouvir
Batendo no inexistente
Descobrindo o sonegado
A repressão vem com força total
Sorrio de escárnio
E que venha repressão
Através de outros homens
Pois
Tenho medo do desconhecido
Não de homens...


By: Edivan Freitas

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