sábado, 27 de abril de 2013

Autoquíria

Pensamentos confusos
Coração acelerado
Nervos irrequietos
Dificuldade em respirar
Visão turva
Coração descompassado
Um passo no vazio
Precipitação irreversível
O vento
Inicia uma canção
Ensurdecedora
Minha roupa
Insiste
                [Em vão
Em querer fazer o caminho oposto
Ao que sigo
E vou
Impetuoso
Sem possíveis arrependimentos
Ao encontro Dela
Com um sorriso
Estampado no rosto
Lembro
Que já trocávamos
Alguns olhares maliciosos
                [E como Ela me flertava...
E eu fingia
Que não via
Tentava pensar
Na minha amada
Pra não dar vazão
A minha vontade
De ir para os braços
Dessa sedutora descarada
Mas hoje
Não tive como negar
De ir ao seu encontro
Depois que a vida
Deu-me algumas bofetadas
Tirou-me o emprego
Minha amada
Meus sonhos
Somente Ela estava lá
Dei-lhe um sorriso de escárnio
Revelando
A depreciação da minha própria vida
Ela deu de ombros
Olhou-me de soslaio
Acenou
Com a ausência de dor em uma das mãos
E uma boa dose de ilusão na outra
E fazendo um grande “C” com os braços
Tentando-me a um abraço apertado
Agora estou eu
Indo em sua direção
Numa velocidade vertiginosa
Algumas pessoas me notam
Olham-me embasbacadas
Surpresas
Pensam:
“Por que ele  escolheu logo Ela?”
Não ligo
Ela foi a única que me deu atenção
A única que se importou
A única que quis me olhar nos olhos
Quando ninguém olhava pra mim
Aproximo-me cada vez mais rápido
Sinto o Seu cheiro doce
E o segundo que antecedeu
Seu abraço
A dor
                [Ao quicar no chão
Lacerante
Descomunal
 Imensurável
Mas o Seu abraço frio me consola
Afaga a minha angústia
As pessoas ficam chocadas
Não acreditam no acontecido
Aperto tal abraço
Peço pra sairmos dali
Estávamos atrapalhando
O tráfego de uma sexta-feira
Ela me leva embora nos braços
Deixando pra trás
O asfalto tingido de vermelho...

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