O sinal
fecha
Trinta
segundos
De espera
consentida
Um mar de
luzes
A piscar
Incansáveis
Arrítmica
Buzinas
Vozes
aleatórias
Uma
cacofonia orquestrada
Pelo
(monótono) cotidiano
E eu
Com o olhar
preso
Naquele par
de olhos vermelhos
Aguardando a
mudança cromática
Mas a
esquina
Fisga-me a
atenção
Com os seus
cabelos cacheados
Lábios
carnudos
Tão rubro
quanto
Os olhos que
encarava há pouco
E seus olhos
tão negros quanto
A própria
pele
Com um andar
estonteante
Ela
atravessa a rua
Com um
projeto de sorriso
Riscando-lhe
o rosto
Ciente dos
olhares
Que arrebata
Dos que
encaravam o par de olhos vermelhos
Ela
intensifica
Seu andar
serpentino
Na sua
passarela
Pintada de
preto e braço
Com a cabeça
erguida
O olhar no
infinito
Não se
permitindo
A aceitar
As aliciações
As buzinas
E segue o seu
caminho
Ignorando os
ignorantes
E eu
Perdido em
tal beleza
Não saberei
Como
desapaixonar
Por tal
formosura
O par de
olhos vermelhos
Nota o meu
abobamento
E para
abrandar
O meu sofrer
Resolve
Mudar de
humor
E me
presenteia
Com uma
piscadela verde
Desperto do
devaneio
Com uma
buzinada a minhas costas
Inicio o
avanço
Voltando aos
pouco em si
Perguntando-me:
“Como posso
me apaixonar tão fácil?”
Embora
abstruso
Vou seguindo
Até o
momento
Que sou
intimado
A parar mais
uma vez
Pelo par de
olhos vermelhos
Cansado de
me dar privilégios
Trinta
segundos
De espera
consentida
Até que a
esquina
Mais uma vez
Fisga-me a
atenção...
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