domingo, 3 de fevereiro de 2013

Efêmera Paixão


O sinal fecha
Trinta segundos
De espera consentida
Um mar de luzes
A piscar
Incansáveis
Arrítmica
Buzinas
Vozes aleatórias
Uma cacofonia orquestrada
Pelo (monótono) cotidiano
E eu
Com o olhar preso
Naquele par de olhos vermelhos
Aguardando a mudança cromática
Mas a esquina
Fisga-me a atenção
Com os seus cabelos cacheados
Lábios carnudos
Tão rubro quanto
Os olhos que encarava há pouco
E seus olhos tão negros quanto
A própria pele
Com um andar estonteante
Ela atravessa a rua
Com um projeto de sorriso
Riscando-lhe o rosto
Ciente dos olhares
Que arrebata
Dos que encaravam o par de olhos vermelhos
Ela intensifica
Seu andar serpentino
Na sua passarela
Pintada de preto e braço
Com a cabeça erguida
O olhar no infinito
Não se permitindo
A aceitar
As aliciações
As buzinas
E segue o seu caminho
Ignorando os ignorantes
E eu
Perdido em tal beleza
Não saberei
Como desapaixonar
Por tal formosura
O par de olhos vermelhos
Nota o meu abobamento
E para abrandar
O meu sofrer
Resolve
Mudar de humor
E me presenteia
Com uma piscadela verde
Desperto do devaneio
Com uma buzinada a minhas costas
Inicio o avanço
Voltando aos pouco em si
Perguntando-me:
“Como posso me apaixonar tão fácil?”
Embora abstruso
Vou seguindo
Até o momento
Que sou intimado
A parar mais uma vez
Pelo par de olhos vermelhos
Cansado de me dar privilégios
Trinta segundos
De espera consentida
Até que a esquina
Mais uma vez
Fisga-me a atenção...

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