quinta-feira, 7 de junho de 2012

...À Primeira Vista


A luz do sol
Ao sair do prédio
Ofusca-me a visão
Levo alguns segundos
Para acostumar-me
Com a luminosidade
Olho para o céu anil
Poucas nuvens
Que passeiam tranquilas
Calmas
Suspensas
Acima das preocupações mundanas
Moldando-se a vontade
Sempre tomando
Formas nostálgicas
E me enchendo de inveja
Por estar acima de tudo e de todos
Respiro fundo
Desço as escadas
E aguardo
Os amigos que também
Sairão do mesmo prédio
Distraído
Arremesso o meu olhar
Rua acima
Noto
Uma figura feminil
Caminhando
Em minha direção
Dona de um andar
Hipnotizante
E sem querer
                           [Ou não
Consegue
Algemar o meu olhar
Que vai subindo
Dos seus pés
                           [Bem calçados
Passa pela sua cintura
Que se movimenta
Como uma serpente
Encantando-me a visão
E finalmente
Chego aos seus olhos
Aos quais
Estão decididos
Mas dóceis
A olhar nos meus
Assusto-me
Pela objetividade deles
De me desarmar
Engulo a seco
Minhas pernas tremem
As mãos transpiram
Suo frio
E seu olhar
Senhoril do pecado
Faz com que
A minha visão fique
Retida neles
E me desperta
Um liquidificador de sentimentos
Ela sorri
“Bom dia! Tudo bem?”
Ela fala
Como se nada
Estivesse acontecendo
                           [Não sei como
Saio da minha paralisia momentânea
Volto a me mexer
Presenteio-a com um sorriso
                           [Torto e sem graça
“Bom dia!”
É tudo que consigo falar
Pois a minha respiração
Está descompassada
Ela me oferece
Um sorriso ainda mais largo
Meu coração apressa-se em seu trabalho
Derreto-me
Fico mudo
Para que ela não note
O meu coração
Que já estava na minha boca
Onde o mesmo
Subiu sem dificuldades
Pela minha garganta
Ao ver a arma
Que ela carrega nos lábios
E após o disparo que ela me fez
O meu estômago congela
Ela
Subiu
Nos mesmos degraus
Aos quais acabo de descer
Chegando ao topo da escadaria
Vira-se
Encara-me
Seus lábios
Usam a tal arma mais uma vez
Perco-me
Nesse último sorriso
E entra no prédio
No mesmo momento
Meus amigos saem
Descem as escadas
E notam que não estou
No meu “normal”
Balançam as mãos
Diante do meu rosto
Lentamente
Meus olhos vão readquirindo o foco
As borboletas
Deixam de fazer festa no meu estômago
E vão saindo
Pela minha boca entreaberta
Meu coração
Vai saindo do ritmo carnavalesco carioca
Para seu trabalho habitual
Somente minha respiração
Que não volta a normalidade
Pois no breve momento
Que senti a sua fragrância
Viciei-me
E já sinto abstinência do seu cheiro
Com a respiração ainda alterada
E engolindo a seco
Meus amigos me sacodem
E indagam
O motivo desse fascínio
Olho para todos
Eles
Olham entre si e para mim
Aturdidos
Ainda sem saberem o que aconteceu
Sorrio e digo:
“É estranho se apaixonar, não é!?

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