quinta-feira, 29 de março de 2012

Tentativa

Juro que dei o meu melhor
Esforcei-me
Falei
Balbuciei
Sussurrei
Gritei
E você não se importou
Não ligou
Nem se quer ponderou
Por alguma das minhas palavras
Apenas olhava para os lados
Com uma expressão de chateação
Rezando para que a minha ladainha
Acabasse logo
E como resposta
Para a minha tentativa
De reconhecimento
De salvar o que restava
De nós
Você
Olhou pra mim
E com um sorriso de desdém
Fez um sinal de negativo com a cabeça
E se foi
Embasbacada
Fiquei a olhar
Você
Caminhando
Fugindo
De mim ou de si!?
Seguiu sem tropeços
Acelerado
E vi
Você
A dobrar a esquina
Nem sequer olhou pra trás
Humilhação
É a moeda de câmbio
Pra quem se entrega
Inteiramente
Ao amor
Sentimento esse
Que não nos permite
Raciocinar
Pensar
Usar da razão
Apenas nos faz voar
Sem previsão
De quando vai nos abandonar
Independente
Da altura que estamos em tal vôo
E a queda livre fica
Por conta da “casa”
Começa a chover
A chuva se mistura com as lágrimas
O soluço
É o que denuncia o meu choro
A chuva da desilusão
Encharca minha face
O vento murmura
Uma canção fúnebre
Em condolência
A uma parte de mim
Que morreu
Com a sua partida
Lentamente
Volto a ter o controle do meu corpo
Pois
O baque me paralisara
Com as pernas tremulas
Começo a caminhar
Pelo caminho contrário que você seguiu
Passo por um carro estacionado
Vejo o meu reflexo no vidro
Vejo-me como os meus sentimentos
Contorcidos e confusos
Noto
Que minhas lágrimas são negras
Imaginei que o meu corpo
Expulsava o mal
E o rancor que você deixara
Mas é apenas a chuva
Que me retira a maquiagem
Ela me quer pura
Sem falsas cordialidades
Sem jogos
Na tentativa de me lavar a alma
E aceito a proposta
Entrego-me a sua simpatia
Chego à esquina
Olho pra trás
Enxergo a outra esquina
Fecho os olhos
Consigo
Relembrar o momento
Em que você desaparece
Do meu campo de visão
E lembro-me de quando
Olhávamos juntos
Na mesma direção
Agora
Seguimos e olhamos
Em direções opostas...

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