Esforcei-me
Falei
Balbuciei
Sussurrei
Gritei
E você não
se importou
Não ligou
Nem se quer ponderou
Nem se quer ponderou
Por alguma das
minhas palavras
Apenas
olhava para os lados
Com uma
expressão de chateação
Rezando para
que a minha ladainha
Acabasse
logo
E como
resposta
Para a minha
tentativa
De reconhecimento
De salvar o
que restava
De nós
Você
Olhou pra
mim
E com um
sorriso de desdém
Fez um sinal
de negativo com a cabeça
E se foi
Embasbacada
Fiquei a
olhar
Você
Caminhando
Fugindo
De mim ou de
si!?
Seguiu sem
tropeços
Acelerado
E vi
Você
A dobrar a
esquina
Nem sequer
olhou pra trás
Humilhação
É a moeda de
câmbio
Pra quem se
entrega
Inteiramente
Ao amor
Sentimento
esse
Que não nos
permite
Raciocinar
Pensar
Usar da
razão
Apenas nos
faz voar
Sem previsão
De quando
vai nos abandonar
Independente
Da altura
que estamos em tal vôo
E a queda
livre fica
Por conta da
“casa”
Começa a
chover
A chuva se
mistura com as lágrimas
O soluço
É o que denuncia
o meu choro
A chuva da
desilusão
Encharca
minha face
O vento
murmura
Uma canção
fúnebre
Em
condolência
A uma parte
de mim
Que morreu
Com a sua
partida
Lentamente
Volto a ter
o controle do meu corpo
Pois
O baque me
paralisara
Com as
pernas tremulas
Começo a
caminhar
Pelo caminho
contrário que você seguiu
Passo por um
carro estacionado
Vejo o meu
reflexo no vidro
Vejo-me como
os meus sentimentos
Contorcidos
e confusos
Noto
Que minhas
lágrimas são negras
Imaginei que
o meu corpo
Expulsava o
mal
E o rancor
que você deixara
Mas é apenas
a chuva
Que me
retira a maquiagem
Ela me quer
pura
Sem falsas
cordialidades
Sem jogos
Na tentativa
de me lavar a alma
E aceito a
proposta
Entrego-me a
sua simpatia
Chego à
esquina
Olho pra
trás
Enxergo a
outra esquina
Fecho os
olhos
Consigo
Relembrar o
momento
Em que você
desaparece
Do meu campo
de visão
E lembro-me
de quando
Olhávamos
juntos
Na mesma
direção
Agora
Seguimos e
olhamos
Em direções
opostas...
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